Histórico: Engenharia de Minas

Na década de trinta, preocupados com o início da industrialização do Brasil, notadamente, na indústria de transformação que se instalava no Planalto de Piratininga, a Escola Politécnica procurou atrair o Professor Luís Flores de Moraes Rego, um eminente engenheiro geólogo, para seus quadros de ensino superior.

Como resultante, no final da década, foram criados os cursos de graduação para Engenheiros de Minas e Metalurgia com seis anos de duração. Em 1955, estes cursos  foram desmembrados e uma reordenação da própria Escola foi então necessária, para permitir um melhor gerenciamento da formação de seus profissionais.

Portanto, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP), foi pioneira em relação à própria Universidade quando, no início da década dos anos 60, organizou-se sobre na forma de Departamentos, agregando cadeiras afins, para constituírem os atuais Departamentos de Engenharia.

Assim, o Departamento de Engenharia de Minas e Geologia, foi constituído em uma reunião realizada em 15 de maio de 1962, no Gabinete de Geologia Econômica. Tal Departamento resultou da reunião de quatro cadeiras afins da Escola Politécnica, sendo:

  • Mineralogia, Petrografia e Geologia
  • Geologia Econômica
  • Geofísica Aplicada
  • Lavra de Minas e Tratamento de Minérios

Em 1960, a Escola Politécnica formou seus primeiros engenheiros de minas, profissionais esses que iriam atender a demanda da crescente indústria mineral brasileira para os quadros do início da produção de petróleo, minério de ferro, bem como a crescente demanda de minérios e matérias primas minerais para todos os campos das atividades da indústria privada, estatal e da construção civil.

Outro anseio, já expresso nesta década de 60, e que ocorreu  com a criação de regimes de trabalho de dedicação integral à pesquisa e docência, foi a necessidade de instituição de cursos de pós graduação, que se iniciaram numa primeira fase nos anos de 1963 e 1964.

Em 1969, cursos regulares de mestrado foram instituídos no Departamento de Engenharia de Minas, na área denominada  Engenharia Mineral, que em 1982, passou a ter também os de doutorado, tendo sido por muito tempo o único e pioneiro programa brasileiro de pós-graduação na área da Engenharia de Minas.

O envolvimento do Departamento com as atividades de ensino,  pesquisa e extensão ocorreu em instantes distintos, refletindo uma demanda da sociedade, de um lado, e a própria capacitação de docentes e pesquisadores de outro.

Os profissionais formados na Escola tiveram um papel extremamente relevante nas décadas de 70 e 80, quando o país colocou em ação os planos de pesquisa mineral que resultaram na descoberta de extensas reservas minerais, principalmente na região norte do  Brasil. Entre estes bens pode-se citar o caulim no rio Jari, a bauxita, o minério de ferro, manganês e ouro no Pará.

Como decorrência dessa intensa atividade mineral na indústria produtiva, somada à intensificação das atividades de pesquisa e pós graduação (mestrado e doutorado), despertaram-se os anseios da consolidação da infraestrutura dos laboratórios de pesquisa.

Assim, o Departamento obteve recursos substanciais do MCT em 1990 por meio de um programa do governo federal de consolidação da infraestrutura através do PADCT – Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na área de Geociências  e Tecnologia Mineral.

A afluência de profissionais de nível superior de países vizinhos, como Peru, Bolívia, Colômbia, Cuba e Argentina, tem contribuído para que o Departamento seja, hoje em dia, reconhecido como importante agente na formação de recursos humanos no ambiente latino-americano, em que se está destacando como um centro de excelência. Programas mais recentes de internacionalização, notadamente após 2010, e acordos de cooperação acadêmica, possibilitaram ao PMI atuar junto a centros de excelência em todo o mundo, com universidades Europeias, Americanas e Asiáticas.

No ano de 2001, precisamente no dia 29 de Maio, o Departamento viu coroados seus esforços de 5 anos, com a constituição e aprovação pelo Conselho Universitário da USP da criação da nova habilitação em Engenharia de Petróleo, para início no ano de 2002. Na mesma seção teve seu nome mudado para Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo.

Em 2011, foi decidida a transferência do curso de Engenharia de Petróleo para a cidade de Santos, futuro polo produtor de petróleo e que iniciou suas atividades em 2012 com os novos ingressantes de graduação.

FATOS DE DESTAQUE

Embora relativamente novo, o Departamento de Engenharia de Minas tem tido uma atuação marcante dentro do âmbito da Escola Politécnica.

O primeiro chefe do Departamento foi o Prof. Alceu Fábio Barbosa, Catedrático de Geologia Econômica. A ele se seguiu o Prof. titular Fernando Flávio Marques de Almeida, engenheiro civil, reconhecido como um dos cientistas eméritos da EPUSP e de outras instituições brasileiras. Com a reestruturação universitária de 1969, a reorganização do Departamento foi chefiada pelo então Prof. livre-docente Dr. Geraldo Conrado Melcher, da área de Prospecção e Pesquisa Mineral.

Em 1974, a chefia foi assumida pelo Prof. titular Paulo Abib Andery, formado engenheiro de minas e metalurgista pela EPUSP, e eminente autoridade reconhecida pelo desenvolvimento de processo de separação e concentração de fosfatos em rochas alcalinas. Em 1974, um reconhecimento internacional de suas atividades ocorreu na Itália durante o Congresso Internacional de Tratamento de Minerais em Cagliari, conferindo ao Prof. Abib um diploma, bem como estabelecendo no Brasil a próxima realização deste evento.

Infortunadamente, o Prof. Abib, após definir a organização principal deste encontro como secretário executivo, veio a falecer prematuramente em 24 de outubro de 1976, e assumiu em seu lugar o então Prof. livre docente Dr. Wildor Theodoro Hennies, que foi ainda auxiliado pelo Prof. livre docente Dr. Waldemar Constantino na secretaria deste notável evento internacional. O congresso realizado na cidade de São Paulo, entre 28 de Agosto e 3 de setembro de 1977, sendo presidido pelo Prof. Dr. Joaquim Maia da Universidade Federal de Ouro Preto.

A partir desse momento, o Departamento conseguiu manter uma parcela expressiva de seus docentes em Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa (RDIDP), o que contrastava com os padrões da maioria dos Departamentos da EPUSP. Foi por esse motivo que puderam ser articulados, sequencialmente, programas de pesquisa com apoio institucional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) durante o período de 1972 a 1982.

O Departamento, que consolidara sua posição junto ao setor mineral, teve na década de 80 a iniciativa de estabelecer convênios de cooperação tecno-científica com empresas do setor, através dos quais foram realizados importantes projetos de pesquisa e desenvolvimento.

Outro indicador da importância da atuação do PMI foi a assinatura de convênio do programa PROMINÉRIO com a EPUSP, com a o objetivo de estudar a lavra subterrânea de calcários da formação Irati, no início da década de 1980.

Os resultados da atuação do Departamento podem ser avaliados pela contribuição que ele trouxe à sociedade. O PMI teve destacada contribuição na consolidação da engenharia mineral no país, formando recursos humanos qualificados e necessários para essa atividade. Esta foi a primeira missão que o Departamento cumpriu.

Os engenheiros de minas formados pela EPUSP, foram importantes para a indústria mineral brasileira no seu desenvolvimento tanto em empresas estatais tais como a Petrobrás e Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce – CVRD), quanto para a iniciativa privada da construção civil brasileira ou indústria química de fertilizantes (fosfatados).

O corpo docente do Departamento tem tido destacada atuação também na discussão e formulação de políticas públicas voltadas para o setor mineral, para o reaproveitamento de recursos naturais e para a proteção do meio ambiente. Os professores participam regularmente de reuniões juntamente a órgãos públicos para estabelecimento de diretrizes em temas como a mineração no município de São Paulo, a política mineral no Estado, a pequena e média mineração no Brasil, a contaminação de solos , a política de gestão de áreas contaminadas e a política tecnológica no Estado de São Paulo.

Vários professores também são membros ativos de Sociedades Técnicas e Científicas internacionais, como a Sociedade Internacional de Mecânica de Rochas e a Associação Internacional de Avaliação de Impactos , além da participação em associações nacionais como a Associação Paulista de Engenheiros de Minas, A Associação Brasileira de Metais, A Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental, O Comitê Brasileiro de Mecânica de Rochas da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica e, mais recentemente , da Sociedade Brasileira de Engenharia de Minas, recém constituída.

CARREIRA E MERCADO DE TRABALHO – ENGENHARIA DE MINAS

O engenheiro de minas é uma das raras profissões que não enfrentam saturação no mercado de trabalho brasileiro. Isso porque o Brasil é um grande explorador e exportador de recursos minerais. Seu campo de atuação é amplo e envolve desde a prospecção (procura de depósitos minerais), passando pela exploração mineral (estudo dos depósitos minerais) e pela lavra (planejamento e extração do minério ), até o tratamento (processamento, separação e/ou concentração do material extraído para adequá-lo às especificações de mercado) e a recuperação ambiental da área explorada.

O engenheiro de minas poderá trabalhar tanto em locais distantes, como Amazônia, ou em grandes centros, como São Paulo, Belo Horizonte ou Rio de Janeiro. Nas grandes cidades, poderá atuar em escritórios das empresas de mineração e de consultoria. Sua formação também possibilita que trabalhe em projetos de construção (túneis, estradas, escavações, demolições) e de meio ambiente (tratamento de rejeitos industriais, descontaminação de solo e água, reaproveitamento de lixo urbano).

Quando atua em projetos de mineração, geralmente situados em locais distantes, sua carga de responsabilidade é bastante grande. Muitas vezes, é o único profissional com formação superior no local, o que o obriga a ser polivalente: ter noções de construção civil, de parte elétrica, mecânica e todo o conhecimento básico para desenvolver o empreendimento com sucesso. É importante ressaltar que suas decisões estão associadas a operações de custo elevado, que envolvem orçamentos e cifras expressivas. Além disso, precisa ter uma postura permanentemente técnica e ética, uma vez que a atividade da mineração precisa ser executada com o mínimo de risco para os trabalhadores e com o menor impacto ambiental possível.