Histórico: Engenharia de Petróleo

Na apresentação da proposta de criação do novo curso de Engenharia de Petróleo, os seus propositores, afirmavam:

“Os motivos que justificam hoje a criação de um curso de Engenharia de Petróleo são os mesmos que em 1945, serviram ao ilustre Professor Dr. Eduardo Ribeiro Costa, Catedrático de Química Orgânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em reunião da Congregação da EPUSP, onde se comemorava os 5 anos de criação dos cursos de formação de Engenheiros de Minas e Metalurgistas: “Basta consultar o quadro do comércio exterior para aquilatar a importância da indústria mineral na economia brasileira. Dominam completamente na importação as utilidades de origem mineral.”. Válido ainda hoje o argumento, pode contudo ser ampliado ao senso comum para: “…a indústria de Petróleo e utilidades de origem em seus derivados”.

O documento, que foi redigido por uma equipe multidisciplinar, coordenada pelo Prof. Dr. Lineu Azuaga Ayres da Silva, na ocasião Chefe do PMI, e pelo Prof. Dr. Giorgio de Tomi, lembrava ainda que, por notável coincidência, o patrono dos cursos de Minas e Metalurgia da EPUSP, o Prof. Luís Flores Moraes Rego, quando em 1929 veio para São Paulo como engenheiro do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, teve por principal missão a pesquisa voltada à Geologia de Petróleo. Era já uma preocupação das principais lideranças empresariais e tecnológicas paulistas que tais insumos, em termos de realidade brasileira, não poderiam faltar à base industrial que nesse Estado se desenvolvia.

Desde sua origem em 1956, o curso de engenharia de minas da Escola Politécnica teve entre seus objetivos a formação de profissionais para atuar junto ao setor petrolífero. Vários engenheiros de minas formados pelo PMI atuaram e continuam atuando na indústria de petróleo. Contudo, por razões que não se pode precisar, a criação do curso específico de Engenharia de Petróleo foi realizada somente em 2001.

Na justificativa circunstanciada que a Escola Politécnica apresentou à Universidade de São Paulo para criação do curso, argumentou-se que em função das mudanças na conjuntura técnica e econômica da indústria do petróleo nacional, incluindo o fim do monopólio estatal, novas empresas estavam estabelecendo-se no país. Essas mudanças criariam uma demanda crescente de profissionais especializados e que a Escola deveria acompanhar essa demanda.

Afirmava-se também que o Departamento de Engenharia de Minas da EPUSP, vinha estudando a proposição da criação de um Curso de Graduação em Engenharia de Petróleo na Escola Politécnica da USP:

“Tal vocação, já explicitada anteriormente, tem hoje um apelo inadiável diante do atual cenário tecnológico nesta área e se apresenta não apenas como uma oportunidade de trabalho, mas como uma oportunidade que o País passa a ter de oferecer técnicos capacitados à formação de quadros das novas empresas que aqui começam a se estabelecer. Esta obrigação é tão mais forte quando se sabe que a globalização e a informática facilitam sobremaneira o exercício da profissão do engenheiro estrangeiro, até de forma ilegal, como tem sido constatado pelo CREA-SP nas empresas recentemente privatizadas, estabelecendo uma concorrência desleal com as especialidades de engenharia já tradicionalmente implantadas no País. Emergencial se torna, portanto, a criação de um Curso de Excelência na especialidade da Engenharia de Petróleo, para que sua ausência no País, não sirva de pretexto a nos levar a uma total espoliação técnico-científica em área onde a Engenharia Nacional tem se destacado mundialmente na extração de petróleo em plataformas oceânicas.”

“Observe-se por outro lado que tal necessidade tem sido atualmente constatada por diversas universidades brasileiras, desde a criação da Agência Nacional de Petróleo (ANP). É facilmente acessível, via Internet, os projetos que tal Agência propõe para a formação de Pessoal Técnico Especializado para suprir a demanda dessa Indústria, certamente preocupada com estes efeitos “secundários” da abertura do mercado.”

“Um horizonte muito amplo se descortina e deve ser encarado com seriedade e prudência por aqueles que podem contribuir com as soluções necessárias. Nessa direção caminham iniciativas como o Seminário anunciado para os dias 11 e 12 de Novembro de 1999 no Rio de Janeiro “Recursos Humanos para a Indústria de Petróleo no Brasil”, e que faz parte do Anexo III deste documento, promovido pela SPE/Seção Brasil e pela ANP.”

Com a criação do novo curso de ENGENHARIA DE PETRÓLEO, o Departamento de Engenharia de Minas da Escola Politécnica, por sua tradição e pelos resultados acadêmicos altamente positivos alcançados, passou a oferecer contribuições técnicas altamente especializadas, em termos de pesquisa e formação profissional, a esta crescente demanda da indústria de petróleo.

Para concluir este histórico, ainda incipiente, é importante acrescentar que, a proposta de criação do novo curso foi registrada na Diretoria da Escola Politécnica no dia 3 de Novembro de 1999, tendo sido aprovada por sua Comissão de Graduação em 4 de fevereiro de 2000, referendada por sua Egrégia Congregação na data de 23 de março. O Excelentíssimo Diretor da Escola Politécnica da USP, Prof. Dr. Marcos de Aguirra Massola, encaminhando a proposta, oficiou à Reitoria em 7 de Abril de 2000 para análise e demais providências para criação do Curso de Engenharia de Petróleo a ser oferecido a partir de 2001 como uma das habilitações da Grande Área Química da Escola. Finalmente, após inúmeros trâmites, por todos as Câmaras, respectivas comissões e relatores, o Conselho Universitário, em sessão de 29.05.2001 aprovou a criação e implantação do Curso de Engenharia de Petróleo como uma das habilitações da Grande Área Química, assim como a mudança do nome do PMI para Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo.

ENGENHARIA DE PETRÓLEO NA CIDADE DE SANTOS

Cesário BastosEm 2011, visando atender as necessidades de implantação de cursos de engenharia na baixada santista o PMI foi chamado a transferir o curso de Engenharia de Petróleo para Santos, pois trata-se de local estratégico com a futura explotação do petróleo da Bacia de Santos, que ficou conhecido como Pré-Sal. Tal descoberta impulsionará um grande desenvolvimento do setor de óleo e gás, levando diversas empresas operadoras e de serviços para a região. Esse efervescente polo industrial precisará de um grande número de profissionais solidamente formados e a transferência do curso de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica contribuirá para sanar esta carência.

A partir de 2012 o PMI iniciou suas atividades na baixada santista, no entanto, o PMI continua sendo um único departamento, subordinado a Escola Politécnica.

 

CARREIRA E MERCADO DE TRABALHO – ENGENHARIA DE PETRÓLEO

As recentes mudanças que estão ocorrendo no setor mundial de petróleo, em que há uma busca incessante pela descoberta de novos reservatórios, tornaram as carreiras relacionadas à área as mais promissoras na atualidade. Entre elas, uma das que mais se destacam e que apresentam maior carência no mercado de trabalho por profissionais qualificados é a de Engenharia de Petróleo.

O engenheiro de petróleo supervisiona e otimiza operações de perfuração e produção em campos de petróleo, que hoje são encontrados desde em regiões polares até em selvas e águas profundas. Para tanto, ele estuda e analisa dados de geologia e engenharia para prever a máxima recuperação de óleo e gás, além das taxas de produção em campos de extração de petróleo, em conjunto com profissionais de outras áreas.

Ao serem descobertos novos reservatórios de óleo ou gás natural, por exemplo, o engenheiro de petróleo passa a trabalhar com geólogos e outros especialistas. Os objetivos dessas parcerias são entender as propriedades da rocha e otimizar seu potencial de produção; desenvolver métodos de recuperação melhorada; determinar os equipamentos e definir o projeto de perfuração, com o máximo de segurança operacional e ambiental e o menor custo.

Em função da natureza da profissão, o engenheiro de petróleo assume responsabilidades significativas e supervisiona importantes projetos mais cedo que em outras áreas da engenharia. Suas decisões estão associadas a operações com custos elevados, envolvendo orçamentos e cifras muito expressivas.

Algumas das funções que o engenheiro de petróleo pode desempenhar em companhias multinacionais, operadoras ou prestadoras de serviços são as de engenheiro de campo, engenheiro chefe de produção, engenheiro de projeto e gerente de produção, entre outras. Além disso, também pode fazer carreira como consultor técnico em empresas de consultoria e agências governamentais.